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Participação quer abrir um debate sobre juventude e cidade, mostrando diferentes opiniões sobre o tema.
Esse é um assunto que está na pauta de metrópoles como o Rio de Janeiro, onde foi realizado o colóquio Juventude, Circulação e Cidade, com diversos especialistas apresentando seus pontos de vista, como o do economista André Urani.
O evento foi organizado pelo Programa Jovens Urbanos, uma iniciativa do Cenpec e da Fundação Itaú Social.
Flávio Dieguez
A divulgação
dos debates realizados no Rio de Janeiro, em agosto, a propósito
da implantação do programa Jovens Urbanos, na cidade,
mostrou uma grande riqueza de opiniões, estudos e propostas
relacionadas com o tema da juventude carioca. Os participantes
trouxeram informações tão interessantes quanto
valiosas sobre o tema principal do colóquio: a questão
da circulação dos jovens pelos espaços urbanos
no Rio. Os jovens circulam pouco pela cidade, assinalaram diversos
participantes. A juventude tende a circular mais nos bairros onde
mora e regiões vizinhas. Isso valeria tanto para os moradores
dos bairros mais distantes como para os bairros mais próximos
do centro. Mas é possível ampliar a circulação,
disseram os debatedores, desde que se trabalhe para superar os
entraves existentes.
Foi justamente para aprofundar essa
questão que se reuniu no Rio, dia 16 de agosto, o colóquio
Juventude, Cidades e Circulação. A questão foi
colocada para os palestrantes no âmbito do programa Jovens
Urbanos, do Cenpec e da Fundação Itaú Social.
Implantado inicialmente em São Paulo, o Jovens Urbanos tem
tido uma trajetória de sucesso no Rio de Janeiro, disse o
coordenador do programa, Wagner Santos. Já envolve 480 jovens
nas zonas Norte e Oeste da cidade. Para ele, o colóquio teve
duas intenções. "A primeira e mais importante é
a perspectiva de que a cidade esteja presente em nosso trabalho. Ela
é o guarda-chuva que dá sustentabilidade ao trabalho
dos jovens" salientou Santos. "A segunda é
consolidar o que conseguimos aqui, que foi construir uma rede
fantástica, para além das expectativas. Temos parceiros
importantíssimos no Rio de Janeiro, como o Canal Futura, o
Programa Avançado de Cultura Contemporânea, com a
Fiocruz, e parcerias com favelas".
A antropóloga
Ilana Strozenberg avançou um pouco mais, afirmando que a
questão da circulação não é
meramente teórica. E explicou: "Em 2006 nós já
tínhamos participado de um primeiro encontro, para discutir as
diferenças entre Rio e São Paulo e o contexto de um
projeto definido numa cidade diferente da nossa. Logo em seguida, a
gente teve um novo encontro e hoje nós estamos aqui para
discutir questões surgidas já do trabalho Jovens
Urbanos no Rio". Essa passagem da teoria à prática
é importante para ela, já que Ilana é
pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
vice-coordenadora do Programa Avançado de Estudos Culturais.
"Nós trabalhamos na universidade numa perspectiva que não
é só interdisciplinar, mas visa quebrar as fronteiras
entre a produção teórica de conhecimento e a
prática de ações," disse Ilana.
Ela
presidiu a mesa, no colóquio, dando a palavra, em primeiro
lugar para Marisa Vassimon, gerente de mobilização
comunitária do Canal Futura, que este ano completa dez anos de
existência. Ela afirmou que nesse período, a temática
do Jovens Urbanos esteve sempre presente na programação
do Futura, citando especialmente o programa Geração
Futura, que busca formar adolescentes nos ofícios da tevê.
Em 2005, segundo ela, o Futura trabalhou com mais de dois mil jovens
no país. Disse que o canal chega hoje a 77 milhões de
pessoas e é visto regularmente por 33 milhões de
espectadores, dos quais 30% são jovens. Marisa disse também
que o Futura busca ampliar ao máximo as parceiras que faz com
universidades, ongs e outras instituições, salientando
que o Jovens Urbanos ajuda a estreitar essas parcerias.
Isabel
Santana, coordenadora de projetos sociais da Fundação
Itaú, se disse otimista com relação aos projetos
para a juventude. "Quando a gente iniciou este projeto de
parceria, não tinha uma definição exata de até
onde iria o papel de cada um dos parceiros. Agora acho que estamos
num bom momento em relação a esses projetos. Ela chamou
a atenção para a importância da juventude
brasileira em termos de quantidade: o número de jovens no
Brasil equivale à segunda maior população da
América Latina (depois da própria sociedade brasileira,
vista em conjunto). Mas isso não é tudo, disse Isabel.
"Se a gente pensa nas características tão diversas
que existem da juventude brasileira, aí então nós
estamos falando de idéia muito maior ainda. Com Jovens Urbanos
nós estamos lidando com um recorte para o jovem, o que mora na
cidade, nos grandes centros urbanos. E esta juventude tem algumas
temáticas, algumas implicações diferenciadas,
diferentes, de outras características, de outros grupos de
jovens existentes no nosso país".
Em seguida
falaram os debatedores convidados, que fizeram parte da mesa do
colóquio: André Urani , do Iets (Instituto de Estudos do
Trabalho e Sociedade), Jaílson de Sousa e Silva, do Observatório de Favelas, Athayde Mota, do Ibase (Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Lúcia
Xavier, da Universidade Federal do Rio de Janeiro , e o
tenente-coronel Teixeira, da Polícia Militar do Rio de
Janeiro. Além deles, participaram, entre outros, Moema
Miranda, do IBASE, Ana Figueiredo, do Projeto Luta pela Paz, Sérgio
Viana, do Instituto Pereira Paz, Heloísa Buarque de Holanda,
do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea).
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