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Juventude : Jovens Urbanos abre espaço para a juventude do Rio
em 24/10/2007 (942 leituras)

Meninas da ONG Ciezo, parceira do Programa Jovens Urbanos no Rio de JaneiroO Site Educação & Participação quer abrir um debate sobre juventude e cidade, mostrando diferentes opiniões sobre o tema.

Esse é um assunto que está na pauta de metrópoles como o Rio de Janeiro, onde foi realizado o colóquio Juventude, Circulação e Cidade, com diversos especialistas apresentando seus pontos de vista, como o do economista André Urani
.

O evento foi organizado pelo Programa Jovens Urbanos, uma iniciativa do Cenpec e da Fundação Itaú Social. 

 



Flávio Dieguez

A divulgação dos debates realizados no Rio de Janeiro, em agosto, a propósito da implantação do programa Jovens Urbanos, na cidade, mostrou uma grande riqueza de opiniões, estudos e propostas relacionadas com o tema da juventude carioca. Os participantes trouxeram informações tão interessantes quanto valiosas sobre o tema principal do colóquio: a questão da circulação dos jovens pelos espaços urbanos no Rio. Os jovens circulam pouco pela cidade, assinalaram diversos participantes. A juventude tende a circular mais nos bairros onde mora e regiões vizinhas. Isso valeria tanto para os moradores dos bairros mais distantes como para os bairros mais próximos do centro. Mas é possível ampliar a circulação, disseram os debatedores, desde que se trabalhe para superar os entraves existentes.

Foi justamente para aprofundar essa questão que se reuniu no Rio, dia 16 de agosto, o colóquio Juventude, Cidades e Circulação. A questão foi colocada para os palestrantes no âmbito do programa Jovens Urbanos, do Cenpec e da Fundação Itaú Social. Implantado inicialmente em São Paulo, o Jovens Urbanos tem tido uma trajetória de sucesso no Rio de Janeiro, disse o coordenador do programa, Wagner Santos. Já envolve 480 jovens nas zonas Norte e Oeste da cidade. Para ele, o colóquio teve duas intenções. "A primeira e mais importante é a perspectiva de que a cidade esteja presente em nosso trabalho. Ela é o guarda-chuva que dá sustentabilidade ao trabalho dos jovens" salientou Santos. "A segunda é consolidar o que conseguimos aqui, que foi construir uma rede fantástica, para além das expectativas. Temos parceiros importantíssimos no Rio de Janeiro, como o Canal Futura, o Programa Avançado de Cultura Contemporânea, com a Fiocruz, e parcerias com favelas".

A antropóloga Ilana Strozenberg avançou um pouco mais, afirmando que a questão da circulação não é meramente teórica. E explicou: "Em 2006 nós já tínhamos participado de um primeiro encontro, para discutir as diferenças entre Rio e São Paulo e o contexto de um projeto definido numa cidade diferente da nossa. Logo em seguida, a gente teve um novo encontro e hoje nós estamos aqui para discutir questões surgidas já do trabalho Jovens Urbanos no Rio". Essa passagem da teoria à prática é importante para ela, já que Ilana é pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vice-coordenadora do Programa Avançado de Estudos Culturais. "Nós trabalhamos na universidade numa perspectiva que não é só interdisciplinar, mas visa quebrar as fronteiras entre a produção teórica de conhecimento e a prática de ações," disse Ilana.

Ela presidiu a mesa, no colóquio, dando a palavra, em primeiro lugar para Marisa Vassimon, gerente de mobilização comunitária do Canal Futura, que este ano completa dez anos de existência. Ela afirmou que nesse período, a temática do Jovens Urbanos esteve sempre presente na programação do Futura, citando especialmente o programa Geração Futura, que busca formar adolescentes nos ofícios da tevê. Em 2005, segundo ela, o Futura trabalhou com mais de dois mil jovens no país. Disse que o canal chega hoje a 77 milhões de pessoas e é visto regularmente por 33 milhões de espectadores, dos quais 30% são jovens. Marisa disse também que o Futura busca ampliar ao máximo as parceiras que faz com universidades, ongs e outras instituições, salientando que o Jovens Urbanos ajuda a estreitar essas parcerias.

Isabel Santana, coordenadora de projetos sociais da Fundação Itaú, se disse otimista com relação aos projetos para a juventude. "Quando a gente iniciou este projeto de parceria, não tinha uma definição exata de até onde iria o papel de cada um dos parceiros. Agora acho que estamos num bom momento em relação a esses projetos. Ela chamou a atenção para a importância da juventude brasileira em termos de quantidade: o número de jovens no Brasil equivale à segunda maior população da América Latina (depois da própria sociedade brasileira, vista em conjunto). Mas isso não é tudo, disse Isabel. "Se a gente pensa nas características tão diversas que existem da juventude brasileira, aí então nós estamos falando de idéia muito maior ainda. Com Jovens Urbanos nós estamos lidando com um recorte para o jovem, o que mora na cidade, nos grandes centros urbanos. E esta juventude tem algumas temáticas, algumas implicações diferenciadas, diferentes, de outras características, de outros grupos de jovens existentes no nosso país".

Em seguida falaram os debatedores convidados, que fizeram parte da mesa do colóquio: André Urani , do Iets
(Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), Jaílson de Sousa e Silva, do Observatório de Favelas, Athayde Mota, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Lúcia Xavier, da Universidade Federal do Rio de Janeiro , e o tenente-coronel Teixeira, da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Além deles, participaram, entre outros, Moema Miranda, do IBASE, Ana Figueiredo, do Projeto Luta pela Paz, Sérgio Viana, do Instituto Pereira Paz, Heloísa Buarque de Holanda, do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea).

 


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