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Juventude : "A juventude precisa de uma política pensada para ela"
em 09/10/2007 (3793 leituras)

Os jovens do Programa Jovens Urbanos se reúnem no Jardim Ângela. Foto: Leonor MacedoA juventude é a fase que começa aos 18 e vai até os 29 anos. É quando não se é mais adolescente, mas também não se é visto como um adulto. “Em relação a políticas públicas, o jovem fica em uma espécie de limbo, onde o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não abrange sua faixa etária, nem as outras políticas como as voltadas para a família, por exemplo”, explica Maria Virgínia de Freitas, do Conselho Nacional de Juventude , coordenadora de projetos para a juventude da ONG Ação Educativa e uma das autoras do livro Políticas Públicas: Juventude em Pauta.

Segundo Magi, como é chamada, a discussão sobre uma política voltada para a juventude é recente no País. "Esse é um debate que começou alguns anos depois da criação do ECA. Ainda temos poucos espaços, mas isso vem crescendo na última década. Aqui em São Paulo , por exemplo, existem diversos fóruns de juventude", garante Magi. "O espaço que os jovens têm de interferência nas políticas ainda varia de cidade para cidade."



Mesmo sendo quase uma novidade, além dos fóruns, os jovens costumam participar de outros espaços como conferências , associações, ONGs, Conselhos e movimentos sociais. "Até em movimentos religiosos os garotos e garotas costumam atuar, como a Pastoral da Juventude", conta.

A juventude costuma se mobilizar de acordo com suas afinidades e por questões temáticas, seja no campo da educação, trabalho, saúde, meio ambiente ou cultura. "Há fóruns de hip hop , de cinema. Uma multiplicidade incrível de atuação", explica Magi.

Boa parte dos projetos voltados para os jovens está ligada a formação para o trabalho. "O grande problema é que essas formações ficam só nas generalidades e não melhoram o repertório cultural da juventude, nem despertam a consciência crítica. Não dão conta de atender a demanda de tornarem-se adultos. Os governos agora falam em escolas técnicas novamente e em parcerias com organizações não-governamentais para formar os jovens.

Para a pesquisadora, outro desafio das políticas voltadas para a juventude é articular os projetos que já existem. "Há muitas iniciativas que parecem mais programas do que políticas. Na sociedade brasileira, nem todo mundo acha que é preciso criar políticas específicas. Agora, é preciso mapear quais são as iniciativas que já existem, seus conteúdos e articulá-las.

"Em quase todos os Ministérios, por exemplo, existem projetos que contam com a participação dos jovens, embora não sejam destinados a eles". O ideal é uma política pensada para os jovens e com os jovens. "Estamos caminhando para isso. Com atraso, mas caminhando", conclui.



*Assista a apresentação do grupo de dança Joy Of Dance, no Fórum de Hip Hop, em São Paulo em 2007

 


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