A
juventude é a fase que começa aos 18 e vai até
os 29 anos. É quando não se é mais adolescente,
mas também não se é visto como um adulto. “Em
relação a políticas públicas, o jovem
fica em uma espécie de limbo, onde o Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) não abrange sua faixa etária,
nem as outras políticas como as voltadas para a família,
por exemplo”, explica Maria Virgínia de Freitas, do Conselho
Nacional de Juventude , coordenadora de projetos para a juventude da
ONG Ação Educativa e uma das autoras do livro Políticas Públicas: Juventude em Pauta.
Segundo
Magi, como é chamada, a discussão sobre uma política
voltada para a juventude é recente no País. "Esse é
um debate que começou alguns anos depois da criação
do ECA. Ainda temos poucos espaços, mas isso vem crescendo na
última década. Aqui em São Paulo , por exemplo,
existem diversos fóruns de juventude", garante Magi. "O
espaço que os jovens têm de interferência nas
políticas ainda varia de cidade para cidade."
Mesmo
sendo quase uma novidade, além dos fóruns, os jovens
costumam participar de outros espaços como conferências ,
associações, ONGs, Conselhos e movimentos sociais. "Até
em movimentos religiosos os garotos e garotas costumam atuar, como a
Pastoral da Juventude", conta.
A
juventude costuma se mobilizar de acordo com suas afinidades e por
questões temáticas, seja no campo da educação,
trabalho, saúde, meio ambiente ou cultura. "Há fóruns
de hip hop , de
cinema. Uma multiplicidade incrível de atuação",
explica Magi.
Boa
parte dos projetos voltados para os jovens está ligada a
formação para o trabalho. "O grande problema é
que essas formações ficam só nas generalidades e
não melhoram o repertório cultural da juventude, nem
despertam a consciência crítica. Não dão
conta de atender a demanda de tornarem-se adultos. Os governos agora
falam em escolas técnicas novamente e em
parcerias com organizações não-governamentais
para formar os jovens.
Para
a pesquisadora, outro desafio das políticas voltadas para a
juventude é articular os projetos que já existem. "Há
muitas iniciativas que parecem mais programas do que políticas.
Na sociedade brasileira, nem todo mundo acha que é preciso
criar políticas específicas. Agora, é preciso
mapear quais são as iniciativas que já existem, seus
conteúdos e articulá-las.
"Em
quase todos os Ministérios, por exemplo, existem projetos que
contam com a participação dos jovens, embora não
sejam destinados a eles". O ideal é uma política pensada para os jovens e com os jovens. "Estamos caminhando para isso. Com atraso, mas
caminhando", conclui.
*Assista a apresentação do grupo de dança Joy Of Dance, no Fórum de Hip Hop, em São Paulo em 2007
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