Pesquisa recente encomendada pelo Ministério da Educação, por meio do programa Mais Educação, mapeou as experiências de jornada escolar ampliada no ensino fundamental. Participaram da pesquisa 2.112 municípios, de um total de 5.564. Destes, 500 declararam adotar o regime de jornada escolar ampliada, sendo que em cada um pode haver mais de um modelo de experiência. Por este motivo, foram identificadas 800 experiências. Considerando que cada uma envolve um conjunto de atividades, foram computados 4.831 registros, resultando numa média de seis atividades por experiência. Leia mais.
Destaca-se o esporte como atividade privilegiada na jornada ampliada (65%), em todo o país. Na sequência, foram apontados o desenvolvimento de aulas de reforço, implementadas por 61,7% das experiências; a música (57,1%) e a dança (54%), seguidas pelo teatro (46,4%), pela informática (45,6%) e pelas oficinas temáticas (44,9%), o artesanato (40,5%), o acompanhamento das tarefas de casa (40,2%), entre outras.
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A expansão do tempo na escola e das oportunidades de aprendizagem abre espaço para uma importante discussão sobre a educação integral. Para que as experiências contribuam de fato para o desenvolvimento de habilidades, valores e atitudes é preciso que façam parte de um projeto pedagógico que considere os saberes da família e da comunidade, articulando tempos, espaços e conteúdos. “É válido destacar que a criação de um turno complementar não significa necessariamente que a formação integral da criança e do adolescente em suas múltiplas dimensões (afetiva, física, ética e intelectual) esteja sendo contemplada”, observa Maria do Carmo Brant de Carvalho, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Ainda segundo a especialista, as atividades desenvolvidas no turno e contraturno escolar devem estar integradas, com base em currículo comum que contemple metas claras de aprendizagem. Ou seja, “a intencionalidade pedagógica é que deve definir a escolha dos conteúdos que serão ensinados, as atividades que serão promovidas e as aprendizagens que serão enfatizadas”, finaliza. A coordenadora do programa de educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, ressalta a importância da articulação entre os educadores. “Se não há diálogo entre os educadores, as intenções ficam pulverizadas e o objetivo final, que é a formação integral da criança e adolescente, fica comprometido”. Para ela, o salto na formação dos indivíduos é maior quando existe coerência entre as atividades propostas dentro e fora da sala de aula.
A Fundação Itaú Social em parceria com o Unicef, com a coordenação técnica do Cenpec, está realizando um estudo sobre as perspectivas para a educação integral no Brasil, a partir de iniciativas governamentais e da sociedade civil. Serão analisadas 16 experiências que deverão ser compiladas em uma publicação. Além disso, a Fundação contribui para o fortalecimento da educação integral no País, por meio do Prêmio Itaú-Unicef.