A consagração como grande vencedora da 8ª edição do Prêmio Itaú-Unicef é um reconhecimento do trabalho desenvolvido há uma década pela Casa da Arte de Educar nos morros cariocas. E só confirma a máxima que já vinha orientando as ações da organização: “Sempre trabalhamos nessa convicção de que a saída nasce do encontro de diferentes”, enfatiza a coordenadora-geral da instituição, Sueli de Lima. Leia mais.
Os “diferentes” a que ela se refere são educadores de formação
acadêmica e educadores comunitários. Foi a partir de um intenso diálogo
entre os saberes presentes nesses dois universos tão distintos e muitas
vezes antagônicos – universidade e comunidade – que a Casa da Arte nasceu. E assim continua. Com sedes na Mangueira e no Morro dos Macacos, a organização desenvolve atividades no contraturno escolar com o objetivo de garantir
que crianças e adolescentes concluam os estudos. Também oferece
educação de jovens e adultos no período noturno, a maioria pais de
meninos e meninas atendidos durante o dia. Como o próprio nome da instituição indica, os projetos são desenvolvidos na interface entre educação e cultura. “Não dava para colaborar na formulação de uma saída para educação pública diante dos desafios que as crianças e jovens viviam sem pensar na cultura local e no seu desenvolvimento”, explica Sueli. Dos cinco núcleos de pesquisa nos quais se encontram estruturadas atualmente as atividades da Casa da Arte, o primeiro a ser criado foi o de Pesquisas Artísticas. “Esse Núcleo realiza estudos no universo da cultura local, não na intenção de formar artistas, mas a arte que promove a subjetividade, a capacidade de o indivíduo interferir no mundo, de se compreender como um igual e um diferente”, afirma.
Logo em seguida, surgiu o Núcleo de Memória, que investiga o contorno cultural da comunidade. Mais tarde, vieram os Núcleos de Diálogos com a Cidade (entendida como um espaço de formação dos indivíduos), de Diálogos com a Escola e, dois anos atrás, o de Tecnologias Populares. A articulação entre os saberes existentes na escola e na comunidade está expressa na Mandala dos Saberes, desenvolvida pela Casa com o objetivo de tornar esse diálogo possível. A metodologia foi adaptada e implementada nas escolas participantes do Mais Educação, programa de educação integral do Ministério da Educação. Sueli faz questão de frisar que a metodologia não é fechada. “Ela tem que refl etir a diversidade da cultura local, das experiências, dos desafi os. Por isso, tem que ser livre para ser refeita, reelaborada”.
A ênfase na pesquisa também se reflete na importância dada ao monitoramento, avaliação e sistematização dos projetos. São seis livros publicados, vídeos e outros materiais produzidos no intuito de promover a reflexão sobre as ações. A partir da visibilidade proporcionada pelo Prêmio e a maior divulgação das ações da Casa da Arte, a comunidade dos morros cariocas vai ganhar mais oferta de atividades que contribuam para o desenvolvimento integral de suas crianças e adolescentes.