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Educar o Olhar: Uma nova abordagem para a Educação Ambiental

DetalhesTema: Ações socioeducativas
Autor: Rita Maria Cardoso Barbosa
Publicado em: 19/05/2009
Tipo de Mídia:
Data de Criação: 19/05/2009

Ultimamente, só encontramos notícias pessimistas no que se refere ao meio ambiente, e nos acostumamos às manchetes que versam sobre as grandes catástrofes. A imprensa falada e escrita trata do assunto tão exaustivamente, que corremos o risco de banalizar o nosso olhar. Adultos, jovens e crianças são capazes de discorrer sobre o aquecimento global, derretimento da calota polar, desmatamento, mudanças climáticas, lixões, poluição com conhecimento e categoria. No entanto, fica a dúvida - até que ponto este conhecimento é superficial, pouco consistente, e consciente? Quantos de nós, realmente, acreditamos no que está sendo noticiado?  Quando verificamos que muitos ainda descartam o lixo em qualquer lugar, ejetam esgoto em rios e ribeirões, derrubam árvores nativas sem qualquer razão, tem carros sem manutenção, ficamos a nos perguntar que educação ambiental é esta que estamos tendo e oferecendo à nossas crianças, adolescentes e jovens.
Consideramos que a educação ambiental deve ser um processo de reconhecimento de valores e clarificação de conceitos do Mundo Natural, afim de que todos possam desenvolver habilidades e competências para que modifiquem atitudes em relação ao meio ambiente. A experiência tem nos ensinado que mostrar lixões, rios poluídos, erosões e desmatamento não comovem ou sensibilizam parte das crianças, adolescentes e jovens, uma vez que continuam a descartar o lixo perto de suas casas, fazer ligações clandestinas de esgoto lançando-o nos rios ou ribeirões e a derrubar árvores aleatoriamente. Isto acontece tanto na cidade, quanto no campo. Participar de eventos comemorativos como o Dia Mundial do Meio Ambiente, Dia da Árvore, mutirões de limpeza, plantio de mudas de árvores, visita a viveiros de plantas também tem pouco efeito. A educação ambiental tem que ser sistemática e se possível fora das salas de aula, pois entendemos a educação como um processo contínuo e a longo prazo. Diante destes fatos há que se repensar em uma nova maneira de abordar o assunto.  Devemos mudar o foco, educar o olhar, mostrar o Mistério do Universo, a Perfeição do Mundo Natural, o Milagre da Vida.
Comecemos por fazer perguntas instigantes às nossas crianças e adolescentes em vez de descrevermos as conseqüências de nossos maus hábitos. Vamos despertar a curiosidade e a imaginação, o espírito investigativo, e a busca às respostas - Por que o nosso planeta chama-se Terra, se mais de 70% é coberto por água? Quantas estrelas existem no céu?  É verdade que há mais estrelas no céu do que grãos de areia em uma praia? O que significa o nome de cada planeta? É verdade que o céu do Brasil é o céu mais azul do planeta? Por que? Se tudo tem um início, onde as estrelas nascem? E se tudo tem um fim, como será o fim de nosso planeta? Você acredita que há vida em outros planetas? Onde? A exploração de assuntos ligados ao infinito do Cosmos é dos mais estimulantes à imaginação de crianças e adolescentes, e a Internet está aí como uma ferramenta importante, acessível e fascinante.
A perfeição do mundo natural - as estações do ano, o repetir do ciclo da vida, a duração do dia, a lei da gravidade, o movimento de rotação e translação - são algumas das leis que regem o nosso mundo e que se bem colocadas despertam em todos o olhar de admiração e a curiosidade, aptidões inatas a todo ser humano.
O Milagre da Vida, o germinar de uma semente, o desabrochar de uma flor, o nascimento de um animal, as mais recentes descobertas do DNA, assombram o nosso espírito e estimulam sentimentos que nos predispõe a cuidar da vida. Diz o velho ditado: quem ama cuida.
Há, portanto, muitas maneiras de não deixarmos banalizar os problemas ambientais. Outro caminho é levar ao conhecimento dos educandos alguns aspectos da produção cultural e científica do homem. A poesia, a música, a literatura, a pintura, a filosofia, as ciências, a religião são ricas fontes para que saibamos sobre o relacionamento do homem com o misterioso, o incompreensível, o belo e com Deus. Se a vida é um constante aprendizado, cabe aos educadores fazer despertar em todos o olhar para o majestoso, para o misterioso, para o grandioso. Depois, então, perguntaremos se toda esta maravilha foi criada só para nós, se queremos continuar a usufruir destes milagres, se temos o direito e o poder de destruir, se somos capazes de conservar e reconstruir.
Vamos aprender a educar o nosso olhar, revendo os nossos conceitos sobre o Mundo Natural, contemplando o Mistério do Universo e o Milagre da Vida. Só então, mudaremos conscientemente de atitude e transformaremos nosso relacionamento com o meio ambiente. Aprendendo a amar, cuidaremos de nosso lindo e azul planeta Terra!
 


Rita Maria Cardoso Barbosa é presidente da Associação Civil Crescer no Campo


*Os textos publicados na seção Colunas são de responsabilidade dos autores e não exprimem necessariamente a visão do Programa Educação & Participação

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