Participação Social e Adolescências
“ Começar é o insigne privilégio da vontade. Quem nos oferece a ciência dos começos, nos faz doação de uma vontade pura” (Bachelard)
Segue uma narrativa da experiência de vida de dois educadores e dezoito adolescentes, trazendo idéias- força do enigma da adolescência e do aprendizado em que se constitui a participação na organização e consecução das atividades a partir das idéias e ações de vários projetos.
Do ponto de vista social, o jovem é um ser em desenvolvimento e em constante conflito, pois se encontra numa fase natural de transição entre a infância e o universo adulto. Dessa forma, o jovem só é considerado “ maduro” quando bem adaptado à estrutura da sociedade, ou seja, “quando se torna cidadão obediente às normas e aos valores do sistema em que vive (...)” ( Antonio Carlos Brandão e Milton Fernandes Duarte, em “Movimentos Culturais de Juventude”).
A educação e a cultura nos dividem desde que nascemos. Estamos sempre lutando entre dois pólos: eu e o mundo; eu e os outros; eu e o meu corpo; o homem e a mulher; o masculino e o feminino; o adolescente e o adulto. Não somos contemplados na diversidade.
Na prática educativa, quando criamos espaços alternativos de ação, estes podem se transformar em movimento de transformação e de criatividade. Essa forma de trabalho implica em mudança de postura do educador e da educadora que, além de buscar compreender a realidade sem fragmentá-la, precisa aprender a educação afetiva, as formas de cooperação, compromisso, responsabilidade e principalmente a construção da cidadania através do uso positivo da liberdade e autonomia baseados nos princípios políticos: direitos e deveres da vida cidadã.
O espaço alternativo onde desenvolvemos a autonomia e a afetividade permite-nos aprimorar nossas relações interpessoais: respeitamos a opinião dos demais e defendemos nossos direitos.
O desenvolvimento da afetividade implica na capacidade de poder expressar as sensações de prazer, dor, paixão, amor ou ódio, ternura...A emoção não é só privilégio das mulheres, é privilégio de todos e todas independente do gênero masculino ou feminino.
Se a atividade humana é dinâmica e se configura “na” e “pelas” diversas formas de interação social, articular diferentes grupos de adolescentes, de diversas áreas da cidade possibilita-nos ser interlocutores de um movimento interativo e afetivo, através do qual muitas aprendizagens se concretizam. È isso o que tem lugar na Casa do Adolescente- Espaço de Vivência e Convivência de Adolescentes e Jovens.
*Maria Antonieta Ribeiro Ciancio Pinto é coordenadora do Grupo TUMM – Todos Unidos Mudaremos o Mundo, de Mococa (SP)
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